sábado, 24 de outubro de 2009

ABERTURA DA NOITE ARTISTICA DA VIII MOSTRA ESPÍRITA DE DANÇA - OFICINA DO ESPÍRITO


VIII MOSTRA DE DANÇA ESPÍRITA: BORBOLETAS REVOARAM EM ARARAS - Denize de Lucena - Comunidade Arte e Paz - SAA/BA

Chegamos a Araras com a expectativa nas malas. Encontramos uma cidade que nos dizia que o tempo é uma substância maleável que devemos moldar a nosso favor. A correria de nosso cotidiano certamente ficara retida em algum ponto não precisado entre as cidades. Desconfio mesmo que talvez tenha se permitido esquecer-se num dos bancos da Rodoviária de Araras admirando os tons de verde que já não mais se recordava ou quem sabe se perdera de si na contemplação dos pássaros e borboletas que se aproximam sem medo.
Nesse clima de “não há urgência maior que ser feliz” fomos acompanhando o chegar dos carros que traziam sotaques, rostos e olhares que brilhavam na investigação das paredes repletas de imagens de dançarinos como a nos convidar a fazer parte da história.
Reunindo dois conjuntos de apóstolos, os participantes do I Curso para Coreógrafos Espíritas foram convidados a uma maratona de estudos e práticas para um processo de metamorfose. Do casulo do salão, saíram vinte e quatro borboletas com a certeza de poder colaborar na semeadura do Mestre Jesus.
Finalmente reunidos no auditório, mais de uma centena de bailarinos presentes, deu-se início às apresentações.
As luzes fugiram da plateia para reacenderem- se na Terra, em um lindo globo azul, protegido, erguido e evoluindo nas mãos de seres angelicais que ao ocuparem os espaços do palco nos ensinaram que a FRATERNIDADE das cores é um passo a ser dado pela Humanidade para esse novo momento.
Na dobra do tempo/espaço onde passado e presente perderam suas fronteiras, visitamos épocas já vividas e pudemos vislumbrar o que nos espera.
Fomos convidados a mergulhar no tempo, levados pelas mãos de crianças para participar das reuniões na casa em Hydesville.
Acompanhamos a generosidade de quem busca nos passos de Paulo de Tarso se diminuir para que o outro cresça, na coreografia que pontuava que IGUALDADE vai muito além da simetria de braços e pernas.
Com as bailarinas como que saídas das caixinhas de música, aprendemos a alimentar os gestos rígidos e tensos com a alegria dos pequeninos. E com estes, aprendemos que nos que fazeres da auto-educação caminham juntos Seriedade e Alegria.
Descobrimos que teclado e violão dialogam com gestos e pincéis, e que no movimento da Arte que convida à Espiritualização o “acolher a diversidade” é palavra de ordem. Palavra que nos chegou a asas cintilantes de borboletas que sobrevoaram no palco e em nós, fazendo-nos sentir o gosto da LIBERDADE.
Vimos o pensamento tomar forma, compartilhamos da sensação de dançar entre as estrelas em companhia do cândido semeador e encantados vimos plasmar-se o visitante muito especial, que de sua mão fez jorrar a luz capturada pela bailarina para nós, num convite irrecusável: “Quando for convidado, vai”. (Lc, 14:10)
De repente, como uma torneira que se abrisse, a vibração da Arte do Movimento não cabia mais em nós, as lágrimas teimaram em cair como se tivessem rompido os diques da alma, e identificamos que nossos sentimentos careciam chegar muito além dos limites de Araras.
Como uma revoada que respondessem ao chamado do alto, os corredores foram se enchendo de malas, os colchões foram sendo substituídos pelas cadeiras e os companheiros recentemente (re) encontrados foram dirigindo-se como os duzentos da Galiléia a levar ao mundo, boas novas.
Um único sentimento em nosso coração:
É TEMPO DE IRRADIAR!
E como aprendemos há dobrar o tempo, direi apenas: Até breve!



quarta-feira, 17 de junho de 2009

SOBRE A ATITUDE DANÇANTE - GLÓRIA REIS

A criação artística é um ato. Esse ato tem ação. O lugar dessa ação é o espetáculo. O espetáculo está no mundo e todos os presentes sofrem a influência do que é representado.
As opções do criador, suas escolhas estéticas e técnicas, pressupõem que ele se tenha interrogado sobre aquilo que pretende mostrar e sobre a maneira pela qual ele deseja que o espetáculo seja apreendido.
Não se trata, propriamente, de explicitar "sobre o que" é o espetáculo. É sempre sobre alguma coisa, e aí se define a responsabilidade do criador, levando-o a escolher uma espécie de material e não outra, não apenas pelo que ela é, mas por seu potencial. "É o senso do potencial que o orienta também na escolha do espaço, dos intérpretes, das formas de expressão. Um potencial que está lá, mas ainda oculto, latente, pronto para ser descoberto, redescoberto e intensificado pelo trabalho concreto, utilizando-se da única arma que possui: sua própria subjetividade." (BROOK, 1995)
Fazer dança é, dentre outras coisas, pesquisar linguagens, movimentos, motivações, modos de viver e construir identidades, o que abre ao ser dançante possibilidades de interferir individual ou coletivamente no mundo que o cerca. Neste sentido, pensamos a arte que reelabore criticamente o real e seus códigos de representação. Para o artista, o problema não é mais saber o que representar e como representá-lo, mas como provocar a reflexão sobre as próprias condições de nosso ambiente social e seus mecanismos. "Talvez nossa preocupação devesse ser de como levar cada um a renovar, de maneira autônoma, sua sensação de mundo." (RYNGAERT, 1998). A dança, manifestação do instante e do efêmero, pode assim provocar significações mais perenes e, de ato dançante, transformar-se em atitude.
O artista, como um ser social, assimila o espírito de sua época e expressa, na arte que faz, as influências do mundo em que vive. Sua expressão artística contém uma visão de mundo, um modo de vida. Sua arte é sua forma de concordar ou
discordar, reforçar ou questionar, uma reclamação, uma manifestação de apoio, uma constatação, um protesto, uma denúncia, uma provocação, um alerta.
Buscando conhecer como operam os condicionamentos sociais e econômicos sobre a produção do imaginário, como estão constituídos os códigos coletivos de percepção e sensibilidade, o artista dialoga com o mundo que o cerca. Na construção de instrumentos de criação, deve reparar em pontos especialmente sensíveis da vida social, pôr em evidência aspectos subjetivos e intersubjetivos das relações entre os homens, provocar experiências inesperadas e contribuir com seus próprios meios para que as pessoas tomem consciência das estruturas que as rodeiam. É como se o artista não produzisse apenas objetos ou sensações, mas fatos; em vez de representações, acontecimentos.
Ao assumir conteúdos e conceitos próprios, vivências culturais de um povo, envolvimento estético que encaminhe a manifestação da linguagem interior, o artista cria, se expõe, adquire linguagem própria, posiciona-se. Pelas funções de uma projeção mais ampla, mais global, o artista poderia colocar-se como um mediador de uma realidade a outra, estabelecendo contatos e conexões e introduzindo, no mínimo, a perturbação.
Numa sociedade superespecializada, que faz da compartimentação e do isolamento entre os grupos um recurso para assegurar a dominação, o artista deve ser um multiplicador dos pontos de vista. Fugir à clausura e contribuir para que outras pessoas o consigam implica modificar constantemente a própria posição, diversificar os enfoques.
Os acontecimentos colocados no ato dançante são incansavelmente questionados, confrontados, ligados entre si e como que movidos por uma agitação que transcende as incertezas. Podem ser, muitas vezes, a expressão de um questionamento, até mesmo de uma angústia, sobre a verdade dos fatos e seus desdobramentos.
O trabalho de criação em dança exige, pois, a atitude de olhar em várias direções ao mesmo tempo, a possibilidade de estar em si e além de si, num movimento para dentro e para fora que se expande na interação com os outros e constitui a visão estereoscópica da vida que a dança pode proporcionar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BROOK, Peter. O ponto de mudança. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1995.
RYNGAERT, Jean Pierre. Ler o teatro contemporâneo. São Paulo, Martins Fontes, 1998.

A DANÇA NA CASA ESPÍRITA: BUSCANDO CAMINHOS POSSÍVEIS/ DANIELA LUCIANA PEREIRA SOARES

“O lugar da dança é nas casas, nas ruas, na vida." Maurice Béjart

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Há um tempo atrás, falar em dança na casa espírita, com certeza provocaria certa estranheza. Hoje em dia, sua presença está se tornando gradativamente mais comum e, penso particularmente, que num futuro não muito distante, nossos textos fazendo referência ao preconceito e as dificuldades iniciais na sua difusão dentro da casa espírita é que causarão certo espanto nos confrades espíritas.
Atualmente, a dança aparece nos cenários espíritas junto a performances teatrais ou musicais ou em grupos constituídos especificamente para trabalharem com essa linguagem artística – os chamados grupos espíritas de dança
[1].
Dentre os grupos que conhecemos, muitos já contam com um pouco mais de uma década, mas a grande maioria vem de iniciativas recentes. Dessa forma, a base teórica e filosófica que sustenta o trabalho dos grupos ainda está sendo construída e refletida pelos mesmos. Embora saibamos que independente de termos consciência ou não, o nosso trabalho sempre reflete uma ideologia, uma maneira de pensar e a dança espírita não fuja disso, acreditamos que suas bases ainda estão criando raízes, através da troca de experiência entre os grupos e das reflexões buscadas nos grupos de discussão, bem como nos encontros voltados ao estudo da arte espírita e nas mostras espíritas de dança.
A finalidade do presente artigo é refletir sobre os objetivos da dança na casa espírita e os diferentes papéis possíveis de serem exercidos por ela no seio da comunidade espírita. Faremos isso, através de um estudo de caso, tendo por companhia autores da Doutrina Espírita. Usaremos como material de análise, as experiências vivenciadas no Grupo Espírita de Dança Evolução
[2] no período de 1995 a 2004, período em que tivemos na coordenação do grupo.
Não temos a pretensão de lançar definições, apenas levantar pontos a serem refletidos, baseados na nossa experiência particular. Acreditamos que a reflexão sobre a prática vivenciada nos grupos, alicerçada no estudo da doutrina espírita deve ser uma constante, para que o trabalho não se perca na práxis e se traduza num pensar, agir e sentir coerentes.

1.1 ENCONTRANDO UMA DIREÇÃO

O Grupo Espírita de Dança Evolução foi criado em Dezembro de 1995 no Instituto de Difusão Espírita, quando um grupo de jovens da mocidade, atendendo a um pedido do coordenador da Evangelização Espírita Infantil se uniu para criar uma coreografia sobre o tema Evolução. Até então, nenhum dos jovens havia tido contado com a dança nem dentro nem fora da casa espírita, somente uma jovem tinha formação em dança e posteriormente passou a coordenar o grupo. Com a apresentação dessa primeira coreografia, o grupo se constituiu como grupo espírita de dança e nunca mais parou. É aí que começa uma história, pano de fundo para nossa análise, construída desde a base por cada um de seus integrantes.
No início do grupo, a idéia que tínhamos sobre os objetivos da dança na casa espírita, pairava sobre a divulgação do espiritismo. Com o tempo, passamos a participar de encontros de arte espírita, voltados ao estudo e a reflexão e fomos construindo uma nova visão de arte. Somado a isso, o Departamento de Evangelização do Instituto de Difusão Espírita, oferecia anualmente um Curso de Formação de Evangelizadores
[3], no qual o papel da arte era muito valorizado, e se fundamentava na melhoria interior e na interação com a espiritualidade maior. Isso contribuiu para que constantemente nos questionássemos sobre a finalidade da dança na casa espírita e fôssemos buscar respostas.

“... A arte não é apenas uma forma de expressão, mas acima de tudo, uma forma de crescimento interior, de desenvolvimento das potências da alma. Pode-se tornar um ótimo elemento de integração vertical, auxiliando o Espírito a vibrar em sintonia mais elevada, afinando seus sentimentos estéticos e sintonizando com as esferas elevadas da vida, com vibrações sutis, com o amor que se amplia e se expande ao infinito.” (Alves, 2000, p.192)

Essas experiências foram fundamentais, para que posteriormente viéssemos a definir com clareza os objetivos do nosso grupo. Mas o que é objetivo?
Procurando auxílio no dicionário, encontramos as seguintes definições:

Objetivo: Fim. Objeto que se quer atingir.
Objeto: Coisa. Motivo. Finalidade.
Finalidade: fim a que se destina uma coisa; objetivo; alvo.

O objetivo é a bússola norteadora de qualquer trabalho, como vimos acima, o alvo que se quer atingir. Se não sabemos claramente aonde queremos chegar, não chegaremos a lugar algum ou andaremos qual barco sem rumo ora se dirigindo a uma direção, ora a outra, seguindo a livre vontade do vento.
Como disse anteriormente, a partir de várias vivências que nos fizeram refletir sobre os objetivos da dança na casa espírita e estudando obras da codificação referente à arte, elegemos como objetivo primeiro do grupo a reforma íntima.

“O objetivo essencial da arte, já dissemos, é a busca e a realização da beleza; é ao mesmo tempo, a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita da beleza física e moral. Quanto mais a inteligência se purifica, se aperfeiçoa e se eleva, mais se impregna da idéia do belo. O objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza, a fim de realizá-la no ser e em suas obras. Tal é a regra da alma em sua ascensão infinita.” (Denis, 1994, p.9)

A interpretação pessoal que fazemos do trecho acima do livro “O Espiritismo na Arte” de Léon Denis, é que o objetivo essencial da arte repousa na melhoria íntima. Quando ele afirma que “o objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza, a fim de realizá-la no ser e em suas obras”, entendemos que a realização da beleza no ser, não pode estar senão voltada para a melhoria interior, para a reforma íntima, visto que o corpo físico é perecível e só o espírito é eterno. Da mesma forma quando se refere à realização da beleza “em suas obras”. Nossas obras são o reflexo do que somos, e só refletirão a beleza à medida que esta cumprir-se em nós.

“Isto porque, para conceber, para produzir obras geniais, capazes de elevar as inteligências até o máximo do pensamento, até o ideal de beleza perfeita, é necessário primeiramente criar-se a si mesmo, edificar sua própria personalidade e torna-la suscetível de provar, de compreender os esplendores da vida superior e a harmonia eterna do mundo. Que forças, que luzes, que consolações, que esperanças podemos passar às outras almas se não temos em nós próprios senão obscuridade, dúvida, incerteza e fraqueza? (Denis, 1994, p. 87)

O trabalho do Grupo Espírita de Dança Evolução se desdobrava em vários grupos divididos por faixa etária, para facilitar o trabalho com a técnica de dança e os interesses e necessidades de cada idade. Nesta época, o grupo já contava com vários integrantes- professores, que ministravam aulas de dança nestes grupos. A existência de um objetivo comum, claro para todos os integrantes, possibilitava um trabalho em uníssono, sem notas dissonantes aqui ou acolá. Também servia de alerta constante, para que buscássemos em nossas coreografias o reflexo desse ideal, nos afastando do culto a vaidade e ao orgulho ainda tão presentes em nós.
Acreditamos que a “reforma íntima” resume em si muitos dos objetivos que possamos traçar para a arte na casa espírita. À medida que nos esforçamos em nossa melhoria interior, vamos gradualmente sintonizando com vibrações de teor mais elevado, despertando o potencial divino, latente em nós. Segundo ALVES (2000), o sentimento corresponde a estado vibratório que se amplia e se desenvolve. À medida em que se emite vibrações, sintoniza com vibrações de teor semelhante, e mais se desenvolve. Além disso, afirma que:

“Existem estados vibratórios ou sentimentos que o intelecto apenas, por si só, não atinge. Energias espirituais superiores vibram em nível superior e para senti-las é preciso entrar em sintonia. Apenas com a razão, com o intelecto, não conseguiremos elevar nosso padrão vibratório para sentir tais vibrações sutis. A arte, contudo, nos permite atingir esses estados superiores, elevando nossa vibração.” (Alves, 2000, p.193).

Tendo a reforma íntima por fim do grupo espírita de dança, o objetivo da apresentação coreográfica passa a ser o “doar-se”. A apresentação ganha um novo sentido, que vai além da demonstração técnica, da divulgação da doutrina, mas atinge o campo da vibração, a ação sem palavras, o diálogo de alma para alma.
Isso que nos moveu a realizar uma apresentação na Clínica Psiquiátrica Antônio Luiz Sayão, em Araras/SP. Todos estávamos cientes, de que os espíritos encarnados que ali se encontravam em corpos mutilados, desequilibrados mentalmente, não receberiam nossa mensagem pelos sentidos comuns, mas pela energia, pela vibração, pelo contato espírito a espírito que a arte ali estabeleceria.
A transmissão do conteúdo espírita-cristã o também é elemento importante, mas não um fim em si mesmo. A maior propaganda que podemos fazer da Doutrina Espírita é nossa própria modificação. De que adianta nos aplicarmos fervorosamente na difusão do espiritismo através da arte, se não nos aplicarmos a vivenciá-lo em nós mesmos. É claro que a Doutrina Espírita estará presente como temática central nas coreografias dos grupos espíritas de dança, mas como já afirmamos em textos anteriores, sua força pousará na transformação moral já alcançada. Fácil é ludibriarmos sobre nossa verdadeira moradia espiritual através das aparências da carne, mas difícil é escondermos a vibração que emanamos, campo em que as máscaras caem e as transparências revelam.


2.2. CAMINHOS E POSSIBILIDADES

“Nenhum caminho é igual a outro não há rima perfeita nem em versos alexandrinos, mas todos os sonhos são voláteis às seis da manhã.” Simão de Miranda

A dança na casa espírita se desdobra em inúmeras possibilidades, como as demais linguagens artísticas – música, teatro, literatura, artes plásticas. Da criança ao idoso ela propicia uma gama de vivências significativas, seja no aspecto educativo, terapêutico, social e espiritual, sem contar os benefícios físicos e psíquicos proporcionados por ela.
Segundo NANNI (1995), na Grécia a dança constituía parte fundamental da educação; realizada de várias formas, era empregada a partir de cinco anos até o limiar da velhice.
Entre as civilizações primitivas, vemo-la ligada aos rituais, ao êxtase, como elemento de ligação com o divino. Em diferentes períodos da humanidade podemos ver essa relação que ela estabelece com a religiosidade, ora intensificando- a, ora se desligando quase por completo, refletindo o pensar, o sentir, o querer de um povo, de uma época.
Iluminada pelo conhecimento espírita, mostra-se como elemento de ligação com Deus, de sensibilização, de estímulo à capacidade criativa, de elevação de padrões vibratórios, dentre tantos outros.
A dança, a arte de forma geral, é sem dúvida elemento valioso dentro da casa espírita, que se bem utilizado, canalizará energias para o bem e belo, propiciando elevação e renovação.

“Não há dúvida de que a arte produz fortes estímulos a fortalecer e impulsionar nossas energias para o bem e para o belo, despertando nossas energias superiores, trabalhando nossa vontade, nosso querer para o melhor, para o belo, para o nobre, para o superior. Ao mesmo tempo a arte permite oferecer oportunidade de experiências variadas atendendo às tendências e aptidões individuais. A música, a dança, o teatro, as artes plásticas, a literatura, formam ambiente de nível superior a tonificar o Espírito, alimentando suas tendências para o melhor e estimulando as regiões superiores da alma, o germe da perfeição, a essência divina que se desenvolve gradativamente em todos nós.” (Alves, p.47)

No campo da evangelização espírita infantil direcionará a vontade a ideais superiores, será veículo de educação do sentimento, despertará o potencial criativo. A dança vem de encontro com a necessidade de movimento e expressão da criança, educativa por excelência, poderá estar presente como estratégia metodológica para se aprender um conteúdo, de forma ativa e construtiva ou como oficina em um horário a parte da evangelização, propiciando vivências estéticas que se refletirão em toda a vida da criança.

“Deixai que as crianças bebam nas fontes mais puras da Arte terrestre... Que elas possam exercitar a sua sensibilidade, ouvindo as melodias mais doces jamais feitas; olhando as cores e as luzes mais sutis já tecidas; declamando os poemas mais elevados jamais compostos; sentindo as produções mais próximas da divindade que o homem já atingiu. Fazei isso com todas elas e se não tiverdes no futuro todos os homens literalmente artistas, tê-lo-eis moralmente melhores e mais criativos.” (Schiller, mensagem psicografada, médium Dora Incontri, in: A Educação Segundo o Espiritismo, p. 215)
Dentro da experiência vivenciada no Grupo Espírita de Dança Evolução, a oficina de dança era realizada em um horário a parte do horário da evangelização, embora também estivesse presente nas aulas e em comemorações realizadas pelos evangelizadores, e reunia crianças que tinham interesse pela dança
[4]. O trabalho da oficina de dança, que ocorria semanalmente e em horários pré-estabelecidos, consistia no aprendizado de técnicas específicas de dança e vivências de improvisação e criação livre, que também abrangiam temas que as crianças estavam estudando na evangelização. O ápice do processo ocorria na criação e apresentação de coreografias a partir dos temas estudados, o que também servia de estímulo ao trabalho do grupo, que se submetia a treinos e ensaios que exigiam muita disciplina, persistência e força de vontade.
Além do campo da evangelização infantil e da mocidade espírita, a dança oferece ao adulto e ao idoso as mesmas oportunidades de expressão e crescimento, alcançando também, níveis terapêuticos. María Fux, bailarina argentina e criadora da dançaterapia
[5] nos diz que a necessidade do adulto expressar-se através de seu corpo é uma necessidade imperiosa, pois com o passar dos anos, o adulto, especialmente, restringe seus limites corporais e psicológicos. Afirma ainda, que somente arrancando e desenvolvendo as possibilidades internas e físicas que temos, é que podemos equilibrar-nos.
“Creio que a dança e o movimento, encarado no criativo que todos temos, ajudam a uma profilaxia terapêutica que deveríamos realizar diariamente.”
“O movimento e a possibilidade de estimulá-lo com a música, a palavra ou o silêncio, revela no espaço a psicologia profunda do indivíduo. Isto se obtém melhorando as possibilidades existentes, desenvolvendo outras e, fundamentalmente, fazendo sentir ao grupo a possibilidade criadora que há dentro de cada um de seus integrantes: deste modo é possível desenvolver não só a parte física, mas também a psíquica, estimulando- os a um reencontro que produz descarga e alegria.” (Fux, 1983, p.115)
A primeira experiência com adultos e idosos no Grupo Espírita de Dança Evolução, surgiu da necessidade de envolvermos mais a casa espírita e os pais dos integrantes do grupo na vivência artística, no nosso caso, a dança.
O trabalho do grupo era intenso, ensaios em finais de semana e feriados, muitas apresentações e viagens, enfim, uma proposta que exigia muita dedicação e envolvimento, nem sempre compreendida por aqueles que olhavam de fora. Embora o apoio que recebíamos da casa espírita que nos acolhia, sentíamos a necessidade da arte ser vista com a mesma dimensão das outras atividades da casa. Então, partindo da premissa que se a dança nos trazia tantos benefícios físicos como espirituais, também o faria aos demais companheiros da casa, não importando a idade cronológica, iniciamos o grupo adulto.
As aulas eram realizadas semanalmente e em horário pré-estabelecido e, como citamos nos grupos anteriores, compreendiam também vivências de diferentes técnicas de dança e improvisação. O pequeno grupo, formado inicialmente, chamou a atenção de outros trabalhadores da casa, e mais companheiros vieram espontaneamente se juntar à nova experiência. Ao propormos uma apresentação, como resultado do trabalho e das vivências do grupo, num primeiro momento, mostraram-se resistentes, mas a resistência inicial foi cedendo lugar à alegria, ao entusiasmo e a um envolvimento cada vez maior.
Para exemplo e admiração de todos, uma das senhoras mais idosas da casa, foi uma das primeiras a integrar o grupo, ensinando-nos a todos, que os limites estão mais na mente que no corpo, e que a dança, vivenciada em sua totalidade, não impõe limites, senão aqueles que nós próprios nos impomos.


3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nossas limitações ainda não nos permitem divisar toda a dimensão da dança na vida humana e além dela. Aqui, apresentamos um pouco da nossa experiência e das nossas reflexões particulares no campo da dança na casa espírita.
Os caminhos são muitos. Cada experiência é única e muito particular.
Não existe caminho certo, nem receitas a serem seguidas. A experiência se constrói dentro do contexto em que está inserida e das relações que estabelece com cada indivíduo envolvido, em determinada época e lugar. Com toda a certeza, as experiências vivenciadas no Grupo Espírita de Dança Evolução, no período de 1995 a 2004 serão diferentes das atuais e estas, diferentes das porvindouras. Cada experiência é singular, sem parâmetros para comparações, mas significativa e transformada, para cada um, dentro do seu universo particular.
Desejamos, que o nosso relato contribua de alguma forma, com o trabalho dos diferentes grupos, não como modelo a ser seguido, mas como pequenina semente, que levada pelo vento, dê origem a novas vivências de transformação e alegria.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


ALVES, Walter Oliveira. Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita: Teoria e Prática. 1ª edição. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 2000.

ALVES, Walter Oliveira. Prática Pedagógica na Evangelização: Conteúdo e Metodologia. 1ª edição. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1998.

DENNIS, Leon. O Espiritismo na arte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Publicações Lachâtre, 1994.

FUX, María. Dança, experiência de vida. 3ª ed. São Paulo: Summus, 1983.

INCONTRI, Dora. A Educação segundo o Espiritismo. 1ª ed. São Paulo: FEESP, 1997.

NANNI, Dionísia. Dança Educação: Pré-escola à Universidade. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

ROCHA, Ruth. Minidicionário. São Paulo: Scipione, 1995.

O que dançaterapia. Disponível em:
http://www.dancater apia.com. br/

[1] Entendemos aqui, por grupo espírita de dança, um conjunto de pessoas, seja jovens, adultos ou crianças que se reúnem regularmente para aprimorarem técnicas de dança, estudarem e montarem coreografias à luz do espiritismo, bem como realizarem apresentações.

[2] Grupo criado em Dezembro de 1995 no Instituto de Difusão Espírita em Araras/São Paulo, que desenvolveu um trabalho de dança à luz do Espiritismo envolvendo crianças, jovens, adultos, idosos e portadores de necessidades educativas especiais. O trabalho do grupo culminou com a criação da I Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito” em Outubro de 2001. O grupo atua até hoje.

[3] O Curso de Evangelizadores é oferecido anualmente no Instituto de Difusão Espírita – Araras/SP no período do carnaval e conta com oficinas artísticas de dança, música, teatro, artes plásticas e literatura.

[4] O Departamento de Evangelização do Instituto de Difusão Espírita oferecia várias oficinas artísticas (dança, música, teatro, artes plásticas e literatura) em horários a parte da evangelização. As crianças tinham liberdade de optar pela oficina que mais lhe despertasse o interesse. Muitas crianças faziam mais de uma oficina.

[5] Dançaterapia é uma abordagem corporal, voltada ao conhecimento pessoal que estimula o movimento criativo e a espontaneidade do corpo, motivando a comunicação e a integração entre as pessoas, procurando oferecer-lhes confiança para transformar o eu não posso por uma nova atitude do corpo que diz: Sim, eu Sou Capaz. Fundamentada na metodologia criada pela bailarina argentina María Fux e na transpessoalidade, a Dançaterapia busca utilizar os recursos artísticos, educacionais e terapêuticos da dança para encontrar as pessoas e auxiliá-las a descobrir caminhos, superar os desafios e viver mais felizes.

terça-feira, 9 de junho de 2009

DANÇA ESPÍRITA - O QUE SABEMOS? DENIZE LUCENA

Esperançosos de que também a dança, se faça colaboradora deste sublime momento de ascensão da arte divinizada, que como bem previu o insigne codificador (1995, p. 327) "em breve, vereis os primeiros esboços da arte espírita, que mais tarde ocupará o lugar que lhe compete", iniciamos nosso diálogo sobre esta linguagem que tanto nos encanta.

Antes de polir a pedra e construir abrigos, os homens já se movimentavam ritmicamente para se aquecer e comunicar.
Considerada a mais antiga das artes, a dança é também a única que dispensa materiais e ferramentas. (...) As danças coletivas também aparecem na origem da civilização e sua função associava-se à adoração das forças superiores ou dos espíritos para obter êxito em expedições guerreiras ou de caça ou ainda para solicitar bom tempo e chuva. (...) No antigo Egito, 20 séculos antes da era cristã, já se realizavam as chamadas danças astroteológicas em homenagem ao deus Osíris. O caráter religioso foi comum às danças clássicas dos povos asiáticos. (ANDRADE, 2000)


Ligada ao homem e ao sagrado, a dança não raro, está presente nas manifestações ritualísticas de quase todas as civilizações antigas e se mantém viva, em muitos agrupamentos religiosos da contemporaneidade. Desde o aparecimento do próprio homem, há registros de sua presença nas pinturas rupestres e nas primeiras grandes civilizações como Grécia, Índia e Egito. De caráter mágico, logo passou a ser conduzida por iniciados e sacerdotes, sendo geralmente circular e coletiva.

(...) na medida em que a arqueologia consegue traduzir as inscrições dos "povos pré-históricos" , ela nos indica a existência da dança como parte integrante de cerimônias religiosas, nos permitindo considerar a possibilidade de que a dança tenha nascido a partir ou de forma concomitante ao nascimento da religião. (MOURA, 2007)

Após um longo período de isolamento e proibições durante a Idade Média, a dança foi resgatada pelas cortes da Itália renascentista, dando-lhe um caráter de virtuose, passando a ser executada em pares. Sua crescente lapidação e exigência técnica deram origem ao ballet clássico e à profissionalizaçã o desta arte. Iniciado na Itália, desenvolvido em França e aprimorado na Rússia, o ballet, devolveu à mulher a possibilidade de participar da dança, dando-lhe o tom sublime, leve e puro da mulher-princesa, da mulher-divina, da mulher-amada que irá permear o ballet de repertório
[2].
As mudanças ocorridas no século 20, em especial na sua segunda metade, causaram transformações em vários setores da sociedade, inclusive o da dança, fazendo nascer diversas categorias e técnicas. Nomes como Isadora Duncan, George Balanchine, Pina Bausch, Martha Graham e Rudolf Laban, dentre muitos outros, irão colaborar para o desenvolvimento e a profissionalizaçã o da arte da dança.
Para nos orientar no estudo do nosso objeto em questão – a dança espírita – vamos começar por um conceito. Como a definição comum de adjetivo é palavra que qualifica o substantivo, podemos entender aqui, que espírita agrega qualidade à dança. Assim, vamos defini-la como a dança pensada e executada com objetivos ligados à Doutrina Espírita. Embora Kardec não tenha frisado em suas obras referência expressa à dança, podemos e iremos certamente tomar para esta tudo o que foi dito a respeito da arte e da inesgotável fonte de inspiração que lhe se tornará o mundo material e espiritual, sob a ótica Espírita.

Sem dúvida, o Espiritismo abre à arte um campo inteiramente novo, imenso e ainda inexplorado. Quando o artista houver de reproduzir com convicção o mundo espírita, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações e seu nome viverá nos séculos vindouros (...) (KARDEC, 1995, p.159)

As páginas na literatura espírita referentes à dança são esparsas mas valorosas, como os bailados graciosos que espargiam feixes de luzes multicores, descritos por Camilo Castelo Branco no conhecidíssimo "Memórias de um suicida" de Yvonne do Amaral Pereira ( pp. 552 – 554 ) e a dança emocionante de Isadora Duncan (espírito), relatada de maneira empolgante pelo jornalista e dramaturgo Silveira Sampaio, em Pare de Sofrer ( pp. 94 – 97 ).
[3] Pinceladas de atuações da dança no plano espiritual, que nos revelam a utilização desta linguagem como instrumento para manipulação de energias e seu emprego com finalidade terapêutica.

A sala escureceu e o silêncio se fez. A pesada cortina desapareceu e em meio à escuridão do palco surgiu uma névoa prateada que foi crescendo e aos poucos tomando uma forma de mulher. (...) Formas coloridas de pessoas com seus instrumentos dançavam no ar (...)
(...) Ela começou a dançar e dela emanavam luzes coloridas (...), expressando sentimentos de luz e beleza tão elevados que energias coloridas e luminosas nos atingiam e emocionavam sensibilizando- nos a alma.
(...) Quando terminou e ela curvando-se acenou adeus, da platéia silenciosa e extasiada saiu uma energia de um rosa brilhante misturada ao lilás suave, que a abraçou com carinho. (...) pude ver que nos olhos dela, brilhantes de emoção, duas lágrimas rolaram qual pérolas de gratidão e de amor. (SAMPAIO, 2002, pp. 96 – 97)

Quem já passou pela experiência da dança, sabe o quanto de energia se consegue perceber e emanar daquele que dança. Distante da razão da arte dramática e mais próxima da subjetividade da música, a dança materializa as energias e as faz movimentar, potencializando- as com as energias provenientes do próprio ser e dialogadas com as daqueles que o observam.

Ele (o perispírito) vibra aos menores impulsos do espírito e transmite ao corpo físico as vibrações forçosamente reduzidas. (...) A correlação entre os dois envoltórios: físico e perispiritual, diz respeito a uma lei única, a das vibrações. (DENIS, 1994, pp. 96 - 97)

O dançarino espírita, consciente desta lei, desenvolve seus movimentos como um maestro que rege a orquestra da natureza. Não são apenas sinestésicos, mas energéticos. Iniciam-se nos seus próprios centros de força, irradiam-se entre si, potencializando- se e ampliam-se, ocupando os espaços da apresentação em um diálogo vibracional entre palco e platéia. Ao dançar, o dançarino espírita pinta no ar com tintas de luzes coloridas e fluidos que mobilizam os sentimentos que escolheu e lapidou durante os ensaios. A música o auxilia na materialização destas forças que envolvem a si e à platéia. Daí o cuidado que se deve ter na escolha do repertório musical.
A música espírita não é, sem dúvida, a única opção mas certamente facilita a criação do coreógrafo e a execução dos dançarinos espíritas pois que, de igual objetivo, já traz em si a temática e a vibração adequadas à visão espírita. Outra razão para a preferência pela música espírita é a sua quantidade e qualidade cada vez maior, além de estarmos também colaborando para a sua divulgação. Como nos diz a equipe de dança do site Evangelizar "Se nós que somos artistas espíritas, se nós que somos bailarinos e coreógrafos espíritas, não falarmos de temas espíritas em nossas coreografias, quem falará por nós?"
[4]
Multiplicam- se músicos, intérpretes e grupos
[5] com CDs lançados ou não, com músicas mediúnicas ou não, que podem e devem ser utilizadas pelos grupos e solistas da dança espírita, somando assim para um verdadeiro trabalho de socialização da arte espírita, ainda tão pouco conhecida do nosso público. Outro aspecto que gostaríamos de abordar sobre a dança (também presente nas demais linguagens da arte espírita) é o trabalho atuante da espiritualidade, com os encarnados e desencarnados durante as apresentações.

Espetáculos, sinfonias, apresentações são utilizados assim como instrumentos cirúrgicos a repararem simultaneamente os corpos etéreos daqueles que ali se encontram, arrebatando do fundo de suas almas, o reconhecimento da filiação divina a que têm vínculo e herança. (BENTO, 2002)

Ao dançar
[6], fazemos do nosso corpo o instrumento para as notas da espiritualidade. E porque não há espaço para racionalizar, nos fazemos instrumentos quase perfeitos, espécies de refletores de energias que nos envolvem e envolvem a todos no ambiente. Todas as atividades desenvolvidas pelos agrupamentos espíritas são utilizadas pela espiritualidade para desenvolver ações educativas, reconfortadoras e/ou terapêuticas. A música, já utilizada em algumas de nossas casas para ambientação nos momentos de prece, meditação, de preparação para o passe ou para os trabalhos mediúnicos é um dos muitos exemplos que podemos citar da utilização das energias potencializadas pela atividade artística, empregadas pelos benfeitores espirituais. Algumas casas já utilizam oficinas de artes simultaneamente às atividades mediúnicas, por orientação da própria espiritualidade, como forma de terapêutica espiritual. Além da utilização da arte junto às atividades da infância e juventude, pela maioria de nossas instituições.
Quando o homem houver desligado-se das imagens e sensações terrenas, através do intercâmbio e das visões do mundo espiritual, das esferas onde a alegria, a harmonia e a paz reinam, refletirá em seu corpo espiritual e este imprimirá no soma as energias divinas e harmônicas do Universo. A dança será então, como já o é em esferas sutilizadas, um cântico de louvação fisicalizado em luzes e formas, emitindo irradiações salutares e terapêuticas, unindo almas em sintonia com os benfeitores e elevando o ser ainda mais, a planos de sutilíssimas harmonias. (ARIEL, 2003)

A dança espírita, como qualquer outra atividade em nossas instituições, exige comprometimento e dedicação, companheirismo e estudo, harmonia e auto-educação. Não está limitada àqueles que possuem conhecimentos técnicos e corpos amadurecidos pela técnica, mas sem dúvida, é de grande importância ter pelo menos a orientação de alguém que conheça alguma das técnicas de dança, os elementos básicos desta linguagem e noções de composição coreográfica para que se dê a qualidade mínima para um trabalho que se pretende, seja respeitado e apoiado pelos companheiros espíritas.
A continuidade, já nos dizia Kardec (2007, p. 25), é característica de um estudo sério. Assim também deve ser com o trabalho da arte dentro das lides espíritas. Deve se ter claros os objetivos, ter um programa de pelo menos médio prazo, com regularidade de encontros, exercícios de preparação corporal que possam dar sintonia e sincronismo entre os elementos do grupo, proporcionar instantes de estudo da linguagem sempre buscando as conexões com as bases doutrinárias, avaliações freqüentes do trabalho do grupo mas também do crescimento e amadurecimento dos seus componentes na linguagem e na Doutrina.
Dançar, se dança em qualquer lugar, para fazer aulas de dança e se apresentar, há uma centena de academias e escolas em qualquer cidade deste país, não é necessário estar em um centro espírita. Mas se a minha escolha consciente é reunir o prazer de dançar com o conhecimento que a Doutrina Espírita despertou em mim, e fazer desta união a minha atividade na seara do Cristo, aí sim, eu vou participar de um grupo de dança espírita.

Ah... minha bailarina
Seu desafio é crescer
Antes do que você pensa
A luz mais intensa virá de você
[7] (César Tucci)

Deixamos aqui o convite para que possamos estimular o fazer e o pensar a dança espírita em nossas instituições, eventos e atividades, no intuito de incentivar grupos e companheiros no envolvimento com a dança, revestida das sutilezas da nossa Doutrina, aproveitando toda a sua potencialidade no desenvolvimento do homem novo que tanto aguardamos. É necessário que aqueles que ainda timidamente atuam nesta área possam trocar experiências, somando e multiplicando para que possamos ver com maior freqüência a dança espírita no nosso meio e além. E se perguntarem por onde começar, a resposta será simples: pelo começo. Reunir aqueles cujo interesse pela dança espírita seja ponto em comum, é um excelente iniciar.
O que dançar, como dançar, quando dançar, onde dançar, com quem dançar e todas as demais questões que por ventura possam estar acolhidas nos corações espalhados pelo Brasil, são questões que se auto-responderã o quando a ação do QUERER DANÇAR for o móvel dos nossos encontros. Abrir espaços dentro e fora de nós, é de hora, o mais que suficiente. Utilizar todos os veículos, a internet, as listas, grupos, orkut, msn, produzir e divulgar vídeos, artigos, diários com as experiências já realizadas e as inquietações presentes, promover e estimular a promoção de mostras, encontros e festivais que possibilitem a troca e a qualificação dos que fazem ou querem fazer dança espírita, são caminhos que necessitam ser multiplicados em nossas cidades, estados e em todo o país. Precisamos buscar palcos que abriguem nossos ideais e fazer da dança espírita mais uma bandeira para a construção da nova era.
Quem me dá a honra desta contra-dança? !


Denize de Lucena
(Salvador, Ba)
denizedelucena@ terra.com. br



Bibliografia:

§ Andrade, Dyone. Quem dança é mais feliz. - A História da Dança. Disponível em: http://br.geocities.com/quemdancaemaisfeliz/interna1.html Acesso: 16/06/2008
§ ARIEL. (espírito) Dança, vibração da alma. Mensagem psicografada. Arquivo da Comunidade Arte e Paz. Salvador, 2003.
§ BENTO. (espírito) Caridade, Arte e Beleza. Mensagem psicografada. Arquivo da Comunidade Arte e Paz. Salvador, 2002.
§ DENIS, Leon. O espiritismo na arte. 2a. ed.Niterói, RJ: Lachâtre, 1994.
§ KARDEC, Allan - tradução Guillon Ribeiro. Obras Póstumas. 27a. ed. Brasília: Editora FEB, 1995.
§ KARDEC, Allan - tradução Salvador Gentile. O Livro dos Espíritos. 169a. ed. Araras, SP: IDE, 2007.
§ Moura, Prof. Dr. Manoel Oriosvaldo de (Org.) - Faculdade de Educação – USP. Metodologia do Ensino de Matemática - História da Dança. Disponível em:
http://www.passosecompassos.com.br/matedanca/historiadanca.htm
Acesso: 16/06/2008
§ SAMPAIO, Silveira (espírito).GASPARETT O, Zibia (médium). Pare de sofrer. 12a. ed. São Paulo: Vida e Consciência, 2002.

[1] Licenciada em Artes Cênicas pela UFBa - BA, Pós-Graduada em Supervisão Escolar pela Cândido Mendes –RJ, espírita desde 1995, integrante da Comunidade Arte e Paz – Ba.

[2] Histórias compostas para ballet. Ex.: O quebra-nozes, A bela adormecida e O lago dos cisnes, de Tchaikovsky; Coppélia, de Léo Delibes; Gisele, de Adolphe Adam; Romeu e Julieta, de Prokofiev; dentre outros.
[3] Ver bibliografia.
[4] http://www.evangeli zar.org.br
[5] podemos sugerir ainda o site http://www.musicexpress.com.br/Genero.asp?genero=33 e http://www.cvdee.org.br/ev_musica.asp onde podem ser encontradas várias músicas espíritas.
[6] É claro que me refiro aqui a uma dança específica, a uma dança que busca a beleza e a elevação.
[7] Trecho da música "bailarina" de César Tucci.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

COMO NASCEM AS COREOGRAFIAS - DENIZE DE LUCENA

(...)42 o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível; 43 é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso; é semeado na fraqueza, mas ressuscita cheio de força; 44 é semeado corpo animal, mas ressuscita corpo espiritual. Se existe um corpo animal, também existe um corpo espiritual (...) (1 Cor: 42 – 44, 1993)

Muito bem.
A mobilização para criação de um grupo de dança na casa espírita, deu certo e já há um bom número de participantes interessados. Há um espaço grande e arejado, autorizado pelos dirigentes que também permitiram o uso do equipamento de som. Foram definidos dia e horário dos encontros e até foi sugerida uma primeira apresentação (se tudo der certo) na abertura da Semana Espírita da Instituição. Agora, é só pôr mãos à obra...
E aí vem a pergunta crucial: Por onde começar?
O trabalho com a dança exige tempo, responsabilidade e comprometimento, como qualquer outro trabalho, aliás, que se pretende sério e duradouro. Ao escolhermos a linguagem da dança como atividade artística, optamos também pelo seu instrumental: o corpo. Nosso corpo é formado de ossos, músculos, articulações e líquidos. Ele é relativamente maleável mas necessita de tempo para conseguir responder às exigências de um trabalho mais técnico e virtuoso.
Existe um bom número de técnicas corporais que podem ser utilizadas para o momento anterior à composição coreográfica. Eugênio Barba
[2], teórico do teatro, define este instante de preparação corporal como pré-expressividade. É a parte que permanece durante os ensaio e antes das apresentações, que visa preparar o corpo dos atores-bailarinos para uma melhor execução dos movimentos e desempenho de seus papéis. Os profissionais de educação física e atletas, chamam este instante de aquecimento que, segundo BATISTA (2003):
(...)é a primeira parte da atividade física e tem como objetivo preparar o indivíduo tanto fisiologicamente como psicologicamente para a atividade física. A realização do aquecimento visa obter o estado ideal psíquico e físico, prevenir lesões e criar alterações no organismo para suportar um treinamento, uma competição ou um lazer, onde o mais importante é o aumento da temperatura corporal.
O aquecimento deve ser proporcional ao grau de exigência que será solicitado ao corpo, a depender do tipo de atividade física que se pretende fazer.
Cumprida esta etapa, o grupo está pronto para dançar. Mais uma vez, podemos recorrer a grande variedade de caminhos. É importante que se conheça alguns e que se decida pelo que melhor se ajusta ao grupo e aos objetivos do trabalho.
Improvisação coreográfica - Apesar de ser possível dançar no silêncio, geralmente acompanhamos uma melodia, um som que seja. Assim, preparar nosso corpo, física e mentalmente, para executar bem os movimentos, é atividade imprescindível nos encontros do grupo.
Há muitas propostas de improvisação. Improvisar, significa executar algo sem prévia preparação. Em dança, improvisar é coreografar e executar a coreografia simultaneamente. É um excelente exercício de avaliação e auto-avaliação, pois ao improvisar, acionamos em nossa memória cerebral e corporal, movimentos, gestos e desenhos corporais que estão registrados em nós, muitas vezes inconscientemente, e preparamos nossa mente e nosso corpo para responder aos estímulos musicais.
§ Iniciar, um momento de escuta da música. De olhos fechados, deixe a imaginação livre para visualizar imagens, cores, movimentos que lhe auxiliarão na execução da improvisação. Observe os sentimentos que a música desperta, seu ritmo, timbres melódicos e tudo o mais que lhe chamar a atenção.
§ Coloque novamente a música e deixe seu corpo lhe guiar. Permita-se!
Composição coreográfica e ensaios – Embora improvisar seja importante e nos traga grande satisfação, geralmente dançamos peças coreografadas, ou seja, executamos movimento pré-determinados e ensaiados para serem precisos.
Podemos começar a coreografar de várias maneiras. Uma das possibilidades é partirmos de uma palavra. Sim, uma simples palavra como despertar... este será nosso mote, nosso tema; buscaremos então uma música que se harmonize com esta idéia, buscaremos sinônimos e imagens que gostaríamos de passar com esta idéia.
Por exemplo, podemos estudar na passagem da Estrada de Damasco, o despertar de Paulo de Tarso (EMMANUEL, 1994, pp. 196 – 200), e o capítulo xvii de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Sede Perfeitos (KARDEC, 2003, pp. 271 –285). Queremos falar do despertar para as verdades do espírito, então trazemos sentimentos como alegria, reconhecimento, gratidão, etc. Podemos pedir ao grupo que pesquise tudo o que tiver alguma relação com o tema, por exemplo, poemas, textos, imagens, cores, enfim, tudo que possa alimentar a nossa criatividade.Escolhemos uma música instrumental, que nos dará maiores possibilidades de criação. Peguemos por exemplo, a música Marc e Bella de Moacyr Camargo
[3] (Instrumental).
Quando coreografamos uma música instrumental não temos palavras que nos guiem mas os elementos presentes na música nos trazem muitas informações que não podemos ignorar: há um ritmo, um naipe de instrumentos com suas timbragens específicas, há momentos que se repetem e outros que variam; ouvir, ouvir e ouvir a música muitas e muitas vezes é o primeiro exercício a ser feito. Perceber sua pulsação, que imagens ela sugere, quais os sentimentos que desperta...
É importante que todo o grupo participe deste instante, pois assim a coreografia terá a riqueza da percepção de todos; cada um de nós capta as vibrações ao nosso redor de acordo com o nosso grau de adiantamento espiritual e o resultados das experiências vividas. Somos corpo físico, perispírito e espírito, que governa nossas ações. Somos luz, somos energia, emanamos energias, trocamos energias.
“Para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação.” (ANDRÉ LUIZ, 1987, p. 25)

Cada um de nós terá sentimentos, percepções e imagens diferentes ao ouvir uma mesma música... e é bom lembrar que o nosso público também.
E, se escolhermos trabalhar com uma música que tenha letra?... todo o processo de estudo e coreografia descrito anteriormente pode ser mantido; a grande diferença é que palavras são imagens, nosso cérebro tem armazenado imagens ligadas às palavras que ouvimos e aprendemos ao longo de nossas vidas, ele funciona por associação, logo, ao ouvirmos uma palavra, ele nos traz imagens, pessoas, acontecimentos, sentimentos, situações e tudo o mais que tenha associado àquela palavra.
Algumas palavras são do inconsciente coletivo e estão impressas em quase todo mundo de maneira mais ou menos parecida, mas ainda assim, há grande possibilidade de variações. Então, quando escolhemos uma música cantada para coreografar, criamos uma dificuldade maior, pois o público já não estará apenas sentindo e percebendo, mas acionará um pensar, devido às palavras. E se for uma música conhecida... aí arranjamos um problemão.
Bem, nada impede contudo, que coreografemos uma música com letra. Vamos usar a mesma canção de Moacyr Camargo
[4].

Voar num sonho azul, voar, voar
Nos raios da lua azul, voarmos
Estrelas brilham em nós, brilhamos
Em suas mãos flores brilhantes
Nossos corpos reluzem
E em tanta luz, nos olhamos.
Nos conhecemos longe
Campos, beijos e flores
Onde corremos livres e belos
O belo azul em nós.
//:Crianças, anjos, vozes celestes
Cantam os sons soltos no universo
Brincam no azul lindos risos
Vale amar da Terra ao infinito azul:\\
A entrada do coro de crianças, nos trás alegria, possibilitando movimentos que lembrem jogos e brincadeiras infantis. Nos trás um sentimento de liberdade que nos dá vontade de voar... voar no infinito, no infinito azul... Moacyr nos fala de estrelas, flores, luzes, risos e anjos. Nos alimenta a alegria de fazermos parte da Criação Divina e a possibilidade real da evolução. Salienta o amor como alavanca desta evolução e a presença divina ao nosso redor.
Do ponto de vista coreográfico, podemos dizer que a letra do Moacyr nos remete à movimentos amplos, contínuos, com vigor e alegria, provavelmente haverá desenhos circulares ocupando espaço e adereços leves como lenços, fitas ou grandes leques poderão riscar desenhos no espaço, ampliando o corpo dos bailarinos. Saltos, carregas
[5], movimentos que usem o nível alto, com intenção para cima e para longe, também são pedidos pela letra e melodia desta música. Pode ser um pas de deux[6], ou uma coreografia para corpo de baile... dificilmente será um solo, pois a música cresce ao longo de sua execução, parece preencher cada vez mais os espaços, sua vibração é contagiante.
Este é um exemplo de como coreografar coletivamente, mesmo não possuindo muitos conhecimentos técnicos. Se houver alguém que tenha algum conhecimento de dança e que deseje conduzir a criação coreográfica poderá utilizar alguns recursos simples como:
Células coreográficas – cria-se uma seqüência pequena de movimentos que será a célula coreográfica. Como na biologia, esta dará origem a várias outras. Na prática, essa seqüência criada é repetida com variações que podem ser de direção, de ritmo, de nível, de velocidade, de amplitude. Essas variações permitirão desenhos diferentes e criativos, que darão à coreografia o colorido necessário.
Seguindo a contagem – esta é uma técnica que exigirá algum conhecimento de iniciação musical. Primeiro faz-se uma decomposição da música, parte à parte, dividindo-a na sua estrutura de composição (pulsação, ritmo, compasso, estrofes, refrões, tema, etc.). A seguir, monta-se a coreografia sobre esta divisão, seguindo seu desenho sonoro. Normalmente se monta as seqüências de oito em oito tempos, mas isto dependerá da música escolhida. A contagem é muito útil também no instante de transmitir os passos aos bailarinos, auxiliando a manter o sincronismo.
Em qualquer método de criação coreográfica, busque explorar os elementos básicos da dança:
§ níveis (alto, médio e baixo)
§ direção (laterais, trás, frente, diagonais)
§ ritmo (pulsação, compasso, variação, contratempo, pontuação)
§ movimento (contínuo, quebrado, brusco, vigoroso, suave)
§ gestos (estilização, ampliação, variação)
§ percursos (desenhos feitos pela trajetória do movimento ou do corpo do bailarino)
Um outro momento muito importante é o pós-criação. Depois de pronta a coreografia, faz-se necessário fazer o que chamamos de limpeza dos movimentos, para corrigir os detalhes e fazer com que todos executem o mesmo movimento, no mesmo tempo, da mesma maneira e pelo mesmo percurso. Esse é um instante um pouco cansativo, mas imprescindível para garantir a plasticidade e sincronismo necessários.
E aí vai um conselho: é preferível que todos os bailarinos levantem as pernas a 45º com as pontas dos pés esticados, que cada um levantar em uma altura diferente, sem definição do movimento. Dedique o tempo que for necessário para este trabalho.
Mesmo quando o corpo de baile não estiver executando simultaneamente o mesmo movimento, ter os passos bem definidos, de onde partem, onde terminam, por onde passam, com precisão dentro da contagem da música, tornará mais bela a coreografia.
Outra dica: brincar com subgrupos dentro da coreografia, agrega valor e beleza à mesma. Em uma coreografia com quatro bailarinos, por exemplo, ora está um sozinho e os três juntos executam outra seqüência; daí a pouco subdividem-se em duplas; mais um pouco, a música cresce e estão todos juntos, sincronizados nos mesmos movimentos, e finalizam executando movimentos individuais.
Uma coreografia onde todos fazem o mesmo movimento o tempo todo, torna-se visualmente cansativa. Uma simples mudança de direção pode dar o toque especial: um executa a seqüência de frente enquanto dois fazem a mesma seqüência em diagonal para o público, e o último executa os movimentos ora para frente, ora de costas para a platéia. Em determinado momento, estão novamente todos juntos, sincronizados.
Uma variação de tempo, também pode dar esse toque diferente na coreografia. Dois começam a seqüência, os outros dois só iniciam oito tempos depois dos primeiros. De repente, um dos primeiros, pára, e espera os outros dois para seguir com estes. E assim por diante.
Explore ritmo, direção e movimento fazendo a coreografia ficar bela e interessante. Não tenha limites, solte a criatividade!
Já temos uma coreografia (ou mais de uma). Agora podemos pensar na apresentação que é, talvez, a melhor parte de todo este processo. Vou deixar isto com vocês, afinal sei que podem dar conta.
É um trabalho árduo este de dançar, não é? Mas é também muito prazeroso e engrandecedor. E quando se está entre amigos, fazendo o que se gosta, não há peso nem obrigação. Então, é só seguir e esperar o dia de dividir todo este trabalho com uma platéia que, esperamos, possa captar tudo o que aprendemos e somar ao nosso trabalho, em uma troca fraternal de energias.
E, por favor, não esqueça de me convidar para a estréia. Adorarei estar lá para aplaudir.

Denize de Lucena
(Salvador, Ba)
denizedelucena@terra.com.br

Bibliografia:

§ andré luiz (espírito); xavier, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. 10a. ed. Brasília, DF: FEB, 1987.
§ Novo Testamento – Primeira Epístola de Paulo Apóstolo aos Coríntios. in BÍBLIA SAGRADA. Ed. Pastoral – Bolso. 1a. ed. São Paulo - SP: Paulus, 1993.
§ BATISTA, Djalma. A importância do aquecimento na atividade física. Revista virtual EFArtigos. Natal/RN. Vol. 01, no. 06 jul. 2003. Disponível em :http://efartigos.atspace.org/otemas/artigo8.html acesso em : 12 jul. 2008.
§ KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. RIBEIRO, Guillon. (trad.) 121 ed. Rio de Janeiro – RJ: FEB, 2003.


[1] Com formação técnica em Artes Visuais pelo CESV e em Dança pela FUNCEB, Licenciada em Artes Cênicas pela UFBa, Pós-Graduada em Supervisão Escolar pela Cândido Mendes –RJ, espírita desde 1995, integrante da Comunidade Arte e Paz – Ba.

[2] Diretor teatral, fundador e teórico da Antropologia Teatral, fundador e diretor do Odin Teatret, na Noruega. Suas idéias estão registradas nos seus livros Terra de cinzas e diamantes. SP: Perspectiva, 2006; Além das Ilhas Flutuantes. SP: Hucitec,1991; A Arte Secreta do Ator. SP:Hucitec,1995 edição com Nicola Savarese e A Canoa de Papel. SP: Hucitec,1994.

[3] Música Marc e Bella de Moacyr Camargo, do CD Marc e Bella num Sonho Azul. (moacyrcamargo@uol.com.br)

[4] No CD Marc e Bella há as duas versões, em instrumental e cantada.
[5] termo usado quando os bailarinos são suspensos por outros.
[6] Do francês, passo de dois: termo usado no ballet clássico para designar coreografia executada por um casal de bailarinos. Peça obrigatória no ballet de repertório.

A MISSÃO DA ARTE - VOZES DO INFINITO - RAUL TEIXEIRA - CAMILO

A Arte é das mais profundas formas de expressão que o Espírito pode encontrar sobre a Terra.
Quando penetrada por ideais de excelência, cabe à Arte o labor de cooperar no desenvolvimento da estesia nas criaturas de Deus.
Assim, o artista é alguém dotado dessas sutis percepções, tendo possibilidades, muitas vezes, de captar a vibração superior da Vida, as ondas luminosas de esferas cerúleas e apresentar aos homens o produto da sua filtragem.
O artista imbuído da Arte que se agita nos painéis do Cosmo, quando segue fiel aos preceitos do equilíbrio da realização do bem, não poucas vezes se faz intérprete de fulgurantes mensagens, depositário que se toma dos fulgores estelares.
Cooperador de Deus, cabe ao artista desenvolver ou colaborar para que se desenvolvam nos seres humanos os sentimentos do belo, do inefável, do indefinível.
Não é por outra causa que deparamos com artistas de níveis variados, atendendo aos Programas da Divindade nos patamares mais diversos pelo mundo.
Dos tambores rústicos da selva aos violinos apaixonados de rútilos concertos, vemos a Presença de Deus.
Da expressão rupestre, esbatida, do neolítico às telas perfeitas de Rembrandt, temos a Presença de Deus.
Do totem dos prístinos dias da tribo, às esculturas de Miguel Angelo, na Europa, percebemos a Presença de Deus.
Das evocações do vozerio rítmico dos polinésios às mais formidáveis sinfônicas do mundo, sentimos a Presença de Deus, conduzindo os Seus filhos ao amadurecimento estético, aos vôos mais altos da sensibilidade, a fim de que O compreendam, gradativamente, na fieira evolutiva.
Não podemos ignorar, contudo, que aparecem aqui e ali, em muitos lugares, e mesmo que luxuriam em vários locais no mundo, almas infernizadas em si mesmas, marcadas pelos instintos rebaixadores do crime, possuidores de pulsões anímicas aberrantes, que se mostram como artistas, impondo aos despreparados e incautos as suas alucinações intimas às quais nomeiam como arte.
No momento em que vive a Humanidade em meio de tantas confusões conceptuais e do gargalhar do deboche, mesmo nas áreas onde deveria vigorar o legítimo e o são, a irrisão campeia, a loucura toma foros de destaque e se projeta nas telas como nas pautas, nos palcos como na literatura, enrodilhando um incontável número de indivíduos em suas sombras.
Na hora torturante pela qual passam os homens da Terra, encontramos grande leva de considerados artistas que, ignorando a sua missão de contribuir com a Obra do Criador, enleiam-se nos fios da vaidade e ao revés de prestarem homenagem à Vida Cósmica por meio da sua arte, põem-se como centros dessa arte, buscando o aplauso e a fama, a riqueza e os fogos-fátuos que brilham por pouco tempo, deixando trevas e amargores, lágrimas e frustrações nas almas dos desprevenidos comerciantes da Arte.
Se identificas em tuas possibilidades a Presença do Senhor a se fazer através de diversificada expressão artística, eleva-te, aprimora-te, ilumina-te, conquista-te e deixa-te a ti mesmo penetrar pelas vibrações dos seres Angélicos, que honram a Deus, espargindo amor e saúde pelo Universo, a fim de que, ao longo dos tempos, participes dos seus misteres.
Fazer Arte, em verdade, é louvar a Deus alcandorando os seres da Humanidade.
Engaja-te nesse labor e deixa brilhar, também ai, a tua luz.

FALA AO ARTISTA ESPÍRITA - EVANGELIZAÇÃO DE ESPÍRITOS/NÚCLEO SANTOS

Para ser um artista espírita não basta só trabalhar com o conteúdo espírita cristão, mas implica sobretudo aplicar esse conteúdo em si mesmo. O Evangelho diz que a boca fala do que está cheio o coração. No coração do artista espírita deve estar o evangelho. Quão belas não serão as obras artísticas de um coração repleto de disciplina e de caridade. E como nos disse São Paulo: "A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses... tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre."
Irmão, tua responsabilidade é tua postura. Tua sintonia, é tua missão. Renove os quadros mentais de tua alma para neles esculpir tua obra de arte. Renova a qualidade de teus sentimentos para neles colher as novas sinfonias de Amor.
Leonardo Da Vinci não tirou as suas obras do nada, ele as colheu das infinitas criações mentais que emitia em profusão ao seu redor. Ludwig Van Beethoven produziu suas obras da jardinagem dos séculos, e gerou sinfonias a partir das infinitas harmonias produzidas por seus sentimentos.
O artista espírita tem como compromisso e responsabilidade tornar-se antes de tudo artífice de seus pensamentos e sentimentos.
Pintai obras de arte em vossos quadros mentais. Produzi com vossos sentimentos sinfonias de amor, harmonia e bondade. Elevemos nossa sintonia a altura de quem buscamos. Busquemos ser artistas do Cristo, Artistas do Pai, Médiuns do palco.
Esqueçamos nossas tolas vaidades, e despojados de nosso amor próprio subamos em direção ao Pai. Ampliemos nossa vibração, e como médiuns do amor possamos brilhar a nossa luz, somada a de muitos da espiritualidade maior. Luz essa a ser refletida em toda platéia.
A obrigação primeira de um artista espírita é fazer de sua vida uma obra de harmonia e beleza. "Buscai primeiro o reino de Deus e tudo o mais vos será dado em acréscimo."
Mas aquele que percorrer esse caminho encontrará flores sem conta, não as palmas da humanidade, mas o apoio e sustentação dos amigos espirituais que distribuem a mancheia sua luz.
Temos que nos tornar campos fecundos a profusão das sementes daqueles que nos inspiram. Este campo tem que estar pronto para a árvore crescer.
O Artista Espírita tem como código de conduta o Evangelho de Jesus.
Como já vos foi dito, a mostra é pura luz. É um fluxo energético de luz pulsante que é emanada por todo aquele que tem como propósito máter divulgar os postulados de Jesus, fundamentado na codificação de Kardec.
As vibrações que emanam dos irmãos que se propõem a realizar de fato um ato de criação dentro da arte, já os envolvem imediatamente neste dínamo gerador de energias.
A beleza da arte está na simplicidade e na pureza de quem trabalha com ela. O traço tremulo de um pincel, o passo incerto das sapatilhas, a pena afoita do poeta, o acorde frágil do músico e a inexperiência do ator, são infinitamente brindados e amparados por todo o plano superior que na grande maioria das vezes nos é invisível mas está sempre ativo. Amigos, estes são os nossos artistas, é essa a energia que buscamos. A conquista estética das grandes produções deve antes ser burilada, e vem depois da conquista da pureza e da simplicidade de cada um.
Nossas portas se destrancam, nossas cortinas se abrem e nossos corações pulsam de alegria. Queremos ver nossos amigos juntos, criando, gerando. É a arte espírita cuja responsabilidade pousa nos ombros de cada um de nós. Adentrai o palco, trazei vossa luz, trazei vossa arte, vossos temas espíritas. A codificação é eloquente e rica, não precisamos de inspiração fora dela, nossos trabalhadores são os artistas de Jesus, não precisamos de mãos externas, essas mãos irão se juntar às nossas, porém no momento oportuno.
Vamos vibrar para que nossa pequenina luz ainda que fosca, possa se unir à do irmão da outra casa espírita. Surgirá daí o verdadeiro contexto da união, alicerçado primeiro no trabalho lado a lado nos "palcos" da vida. Vamos arejar nossas casas mentais e manter nossos canais limpos, para que através dos atributos básicos que nós espíritos temos e que são o Pensamento e a Vontade, possamos conduzir esta "grande família unida" A CAMINHO DA LUZ.