A criação artística é um ato. Esse ato tem ação. O lugar dessa ação é o espetáculo. O espetáculo está no mundo e todos os presentes sofrem a influência do que é representado.
As opções do criador, suas escolhas estéticas e técnicas, pressupõem que ele se tenha interrogado sobre aquilo que pretende mostrar e sobre a maneira pela qual ele deseja que o espetáculo seja apreendido.
Não se trata, propriamente, de explicitar "sobre o que" é o espetáculo. É sempre sobre alguma coisa, e aí se define a responsabilidade do criador, levando-o a escolher uma espécie de material e não outra, não apenas pelo que ela é, mas por seu potencial. "É o senso do potencial que o orienta também na escolha do espaço, dos intérpretes, das formas de expressão. Um potencial que está lá, mas ainda oculto, latente, pronto para ser descoberto, redescoberto e intensificado pelo trabalho concreto, utilizando-se da única arma que possui: sua própria subjetividade." (BROOK, 1995)
Fazer dança é, dentre outras coisas, pesquisar linguagens, movimentos, motivações, modos de viver e construir identidades, o que abre ao ser dançante possibilidades de interferir individual ou coletivamente no mundo que o cerca. Neste sentido, pensamos a arte que reelabore criticamente o real e seus códigos de representação. Para o artista, o problema não é mais saber o que representar e como representá-lo, mas como provocar a reflexão sobre as próprias condições de nosso ambiente social e seus mecanismos. "Talvez nossa preocupação devesse ser de como levar cada um a renovar, de maneira autônoma, sua sensação de mundo." (RYNGAERT, 1998). A dança, manifestação do instante e do efêmero, pode assim provocar significações mais perenes e, de ato dançante, transformar-se em atitude.
O artista, como um ser social, assimila o espírito de sua época e expressa, na arte que faz, as influências do mundo em que vive. Sua expressão artística contém uma visão de mundo, um modo de vida. Sua arte é sua forma de concordar ou
discordar, reforçar ou questionar, uma reclamação, uma manifestação de apoio, uma constatação, um protesto, uma denúncia, uma provocação, um alerta.
Buscando conhecer como operam os condicionamentos sociais e econômicos sobre a produção do imaginário, como estão constituídos os códigos coletivos de percepção e sensibilidade, o artista dialoga com o mundo que o cerca. Na construção de instrumentos de criação, deve reparar em pontos especialmente sensíveis da vida social, pôr em evidência aspectos subjetivos e intersubjetivos das relações entre os homens, provocar experiências inesperadas e contribuir com seus próprios meios para que as pessoas tomem consciência das estruturas que as rodeiam. É como se o artista não produzisse apenas objetos ou sensações, mas fatos; em vez de representações, acontecimentos.
Ao assumir conteúdos e conceitos próprios, vivências culturais de um povo, envolvimento estético que encaminhe a manifestação da linguagem interior, o artista cria, se expõe, adquire linguagem própria, posiciona-se. Pelas funções de uma projeção mais ampla, mais global, o artista poderia colocar-se como um mediador de uma realidade a outra, estabelecendo contatos e conexões e introduzindo, no mínimo, a perturbação.
Numa sociedade superespecializada, que faz da compartimentação e do isolamento entre os grupos um recurso para assegurar a dominação, o artista deve ser um multiplicador dos pontos de vista. Fugir à clausura e contribuir para que outras pessoas o consigam implica modificar constantemente a própria posição, diversificar os enfoques.
Os acontecimentos colocados no ato dançante são incansavelmente questionados, confrontados, ligados entre si e como que movidos por uma agitação que transcende as incertezas. Podem ser, muitas vezes, a expressão de um questionamento, até mesmo de uma angústia, sobre a verdade dos fatos e seus desdobramentos.
O trabalho de criação em dança exige, pois, a atitude de olhar em várias direções ao mesmo tempo, a possibilidade de estar em si e além de si, num movimento para dentro e para fora que se expande na interação com os outros e constitui a visão estereoscópica da vida que a dança pode proporcionar.
As opções do criador, suas escolhas estéticas e técnicas, pressupõem que ele se tenha interrogado sobre aquilo que pretende mostrar e sobre a maneira pela qual ele deseja que o espetáculo seja apreendido.
Não se trata, propriamente, de explicitar "sobre o que" é o espetáculo. É sempre sobre alguma coisa, e aí se define a responsabilidade do criador, levando-o a escolher uma espécie de material e não outra, não apenas pelo que ela é, mas por seu potencial. "É o senso do potencial que o orienta também na escolha do espaço, dos intérpretes, das formas de expressão. Um potencial que está lá, mas ainda oculto, latente, pronto para ser descoberto, redescoberto e intensificado pelo trabalho concreto, utilizando-se da única arma que possui: sua própria subjetividade." (BROOK, 1995)
Fazer dança é, dentre outras coisas, pesquisar linguagens, movimentos, motivações, modos de viver e construir identidades, o que abre ao ser dançante possibilidades de interferir individual ou coletivamente no mundo que o cerca. Neste sentido, pensamos a arte que reelabore criticamente o real e seus códigos de representação. Para o artista, o problema não é mais saber o que representar e como representá-lo, mas como provocar a reflexão sobre as próprias condições de nosso ambiente social e seus mecanismos. "Talvez nossa preocupação devesse ser de como levar cada um a renovar, de maneira autônoma, sua sensação de mundo." (RYNGAERT, 1998). A dança, manifestação do instante e do efêmero, pode assim provocar significações mais perenes e, de ato dançante, transformar-se em atitude.
O artista, como um ser social, assimila o espírito de sua época e expressa, na arte que faz, as influências do mundo em que vive. Sua expressão artística contém uma visão de mundo, um modo de vida. Sua arte é sua forma de concordar ou
discordar, reforçar ou questionar, uma reclamação, uma manifestação de apoio, uma constatação, um protesto, uma denúncia, uma provocação, um alerta.
Buscando conhecer como operam os condicionamentos sociais e econômicos sobre a produção do imaginário, como estão constituídos os códigos coletivos de percepção e sensibilidade, o artista dialoga com o mundo que o cerca. Na construção de instrumentos de criação, deve reparar em pontos especialmente sensíveis da vida social, pôr em evidência aspectos subjetivos e intersubjetivos das relações entre os homens, provocar experiências inesperadas e contribuir com seus próprios meios para que as pessoas tomem consciência das estruturas que as rodeiam. É como se o artista não produzisse apenas objetos ou sensações, mas fatos; em vez de representações, acontecimentos.
Ao assumir conteúdos e conceitos próprios, vivências culturais de um povo, envolvimento estético que encaminhe a manifestação da linguagem interior, o artista cria, se expõe, adquire linguagem própria, posiciona-se. Pelas funções de uma projeção mais ampla, mais global, o artista poderia colocar-se como um mediador de uma realidade a outra, estabelecendo contatos e conexões e introduzindo, no mínimo, a perturbação.
Numa sociedade superespecializada, que faz da compartimentação e do isolamento entre os grupos um recurso para assegurar a dominação, o artista deve ser um multiplicador dos pontos de vista. Fugir à clausura e contribuir para que outras pessoas o consigam implica modificar constantemente a própria posição, diversificar os enfoques.
Os acontecimentos colocados no ato dançante são incansavelmente questionados, confrontados, ligados entre si e como que movidos por uma agitação que transcende as incertezas. Podem ser, muitas vezes, a expressão de um questionamento, até mesmo de uma angústia, sobre a verdade dos fatos e seus desdobramentos.
O trabalho de criação em dança exige, pois, a atitude de olhar em várias direções ao mesmo tempo, a possibilidade de estar em si e além de si, num movimento para dentro e para fora que se expande na interação com os outros e constitui a visão estereoscópica da vida que a dança pode proporcionar.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BROOK, Peter. O ponto de mudança. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1995.
RYNGAERT, Jean Pierre. Ler o teatro contemporâneo. São Paulo, Martins Fontes, 1998.
Nenhum comentário:
Postar um comentário